quinta-feira, 15 de setembro de 2016
A Sombra do Garoto – "X" Parte
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Vida e Morte de Um Qualquer
Imagem por Rafael Dias
domingo, 4 de novembro de 2012
Pesadelos e a Escuridão
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Se For Por Bem, Abdico
Há dias que não tomo as doses de ti, há dias que não sinto que te fiz sorrir o sorriso inocente que tanto te guarda, sem teus beijos brutais que arrancam pedaços, nem as partes de roupas no chão do meu quarto ou a tua voz rouca no pé do meu ouvido. São coisas que, por bem, eu até abdico, mas é essa distância que me faz inimigo do meu próprio sorriso.
Da coletânea 'Lágrimas, Pra Que Te Quero?'.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O Menino Que Sabia Voar
sábado, 11 de agosto de 2012
Espelho D'Água
Mas adoraria cair em meus braços
Entre mil abraços em um só colchão
E se perderia, ora neste espelho azul
Ora neste mesmo espelho verde
Tão difícil de se distinguir.
Eu sou um navio e ela é o meu timão
E o vento que sopra minhas velas
Se eu digo isso no ouvido dela
Ela quer se desmanchar
Se desfazer feito poeira no ar
Sumindo entre meus dedos
Fugindo dos abraços.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Aquele Mesmo Vaso Velho -
Era um dia ruim como qualquer outro, ruim como as músicas que eu andava compondo e minhas expressões eram tão tristes quanto um sorriso britânico em dia de inverno, daqueles em que se usa gorro, luvas, cachecol e sobre-tudo. Nenhuma das mulheres da minha vida poderiam me confortar nesse dia, nem o sorriso mais angelical ou o olho que mais brilhava. Eu só queria escutar o desconfortável som da ponta de carbono rasgando o branco da folha de papel ou os ruídos da agulha da vitrola arranhando o vinil, eu só queria ter certeza de que estava sozinho. Porque naquele dia descobri que a sombra era pouco pra mim, que eu era toda a escuridão, sem sentidos, num lugar onde não se pode olhar, nem cheirar, nem tatear ou ouvir, não havia o que ouvir e por mais que eu pudesse gritar, não havia também quem me ouvisse.
Não havia solidão que me fizesse acender um cigarro, nem sede que me fizesse levar à boca um gole de vinho gelado, não havia salgado, doce ou amargo na língua, nem havia dó, receio, medo ou frenesi, nem sentidos nem sentimentos. Pela segunda vez na vida eu me senti vazio, como se estivesse com um furo bem na base, de onde tudo vazava, jorrando com força total, saindo de mim para um imenso vácuo, sendo puxado pra dentro de um buraco negro onde tudo isso seria triturado enquanto eu ficava apático, sentado naquela cadeira e tentando me concentrar na sonora sensação da ponta de carbono ou da agulha no vinil, mas isso também já havia ido embora junto com “todo eu”.
Foi aí que decidi me levantar e logo caí a uma distância mínima da cadeira, então me levantei novamente e tornei a cair, e assim fui levantando e caindo repetidamente, cada vez mais longe da cadeira, tentava me manter levantado e não o conseguir me frustrava, e com a frustração me enchia de tristeza e voltava a me sentir vivo, triste e vivo, porque o ser humano é como um vaso e a tristeza é o estrume, todos os outros sentimentos nascem dela e nos motivam a procurar novas sensações. Então eu levantei, acendi um cigarro, peguei uma cerveja na geladeira e saí de casa pra explorar minha tristeza e conhecer o mundo.
(Téo Malvine)