sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


Outra Surdina –

Téo Malvine –

. A noite me sorria um sorriso de ponta cabeça, naquela noite me sorria a tristeza e a casa me parecia virada às avessas, como se tivesse eu do outro lado espelho, vasculhando a gaveta vazia, revirando onde nada havia.

. Onde nada havia, aonde estaria algo? Mas naquela noite nada existia... Nada havia em cima da mesa, eu expurgava gentileza e exalava ignorância, vá desculpando a arrogância deste jovem ancião.

. Um pianista eloquente arrastava nas ondas sonoras seu tédio, audível a um raio de uns cinco quarteirões... Não havia estrelas, não tão quanto a lua, não se ouvia risadas na rua, apenas o piano e as sirenes. A noite parecia triste, mas ainda me sorria, um sorriso de ponta cabeça, um sorriso de tristeza.

6 comentários:

  1. Certamente quando se olhou no espelho este absorveu teu riso, aprisionou tua alma, levou pra longe o juízo...
    Sempre digo: cuidado com os espelhos!!!
    Eles nos roubam a alma!
    Eva os olhou e agora está lá presa, emparedada em si.
    Cuidado, cubra os espelhos!!!


    Beijinhos e um ano de muita palavra!!!

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  2. Só pra lembrar: o espelho não é uma expressão. No máximo, há um prisioneiro e outra prisão.

    E deixo a pergunta: uma surdina ou canção pra surdos?

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  3. tanta coisa importante pra ser dita, tanta palavra pra nao dizer nada...

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  4. Acho que neste caso a canção para surdos vira uma canção pra quem não quer escutar. "Será que eu escutei o que ninguém dizia? Será que eu falei o que ninguém ouvia?" Vamos nos adaptar!?!?

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  5. Ou as palavras se excederam, bastante. Parecia melhor calar.

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